Com o Brasil já na segunda rodada e de olho na classificação, o futebol voltou a unir o país de um jeito que só a Copa do Mundo sabe fazer — e a esperança do hexacampeonato está mais viva do que nunca
Tem uma coisa que nenhuma divisão política, nenhuma crise econômica e nenhuma polêmica de redes sociais consegue apagar no Brasil: a chama que acende quando a Seleção entra em campo numa Copa do Mundo. Não importa de onde você é, o que você pensa ou o que você faz. No momento em que o árbitro apita e o verde-amarelo começa a rolar bola, o Brasil para.
E em 2026 não foi diferente. Na verdade, talvez tenha sido mais intenso do que nos últimos anos.
A Copa do Mundo desta edição é realizada nos Estados Unidos, Canadá e México — um torneio expandido para 48 seleções, o maior da história do futebol. O Brasil estreou no dia 13 de junho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, diante de mais de 80 mil pessoas, com transmissão para milhões de lares brasileiros. E mesmo com o resultado — um empate por 1 a 1 com Marrocos que deixou a torcida com o coração na mão — a chama não apagou. Pelo contrário: acendeu ainda mais.
A estreia que parou o Brasil
A Seleção Brasileira estreou na Copa do Mundo de 2026 com um empate por 1 a 1 com o Marrocos, no MetLife Stadium, que recebeu 80.663 torcedores. Aqui no Brasil, era noite de sexta-feira. Bares lotados, televisões ligadas, grupos de família no WhatsApp em colapso. O país estava em jogo.
Marrocos saiu na frente com Saibari, aos 21 minutos, e Vini Jr empatou aos 32 do primeiro tempo.</cite> O gol do empate provocou uma explosão que atravessou fronteiras: de Salvador a São Paulo, do Recife ao interior do Amazonas, as ruas vibraram com aquela finalização colocada de Vinícius Júnior que entrou no ângulo como se soubesse o endereço certo.
Vinicius Jr, autor do primeiro gol do Brasil na Copa do Mundo da FIFA 2026, alcançou a marca de 50 jogos pela Seleção — e igualou o número de gols de Ronaldinho Gaúcho em Copas do Mundo.</cite> Um detalhe que a torcida não deixou passar e que já virou história.
O empate frustrou, sim. Mas não abalou. Porque torcedor brasileiro sabe de uma coisa que nem sempre aparece nas pesquisas: a fé no hexa não precisa de lógica. Ela é visceral, emocional, quase religiosa.
A virada: Brasil vence o Haiti e acende a esperança
O Brasil conquistou sua primeira vitória na Copa do Mundo da FIFA 2026 na sexta-feira, ao derrotar o Haiti por 3 a 0 no estádio de Filadélfia.</cite>
O treinador Carlo Ancelotti optou por Matheus Cunha como líder do ataque para a partida, e a escolha se mostrou acertada — o jogador do Manchester United balançou as redes duas vezes ainda no primeiro tempo. Foi o tipo de atuação do time que a torcida precisava para respirar: objetiva, eficiente e com aquela cara de Seleção que manda.
O clima nas ruas repetiu o ritual sagrado do brasileiro em Copa: camisas amarelas em todo canto, bandeiras nas janelas, gritos de gol que ecoaram de apartamento em apartamento como um uníssono espontâneo que nenhum maestro conseguiria coordenar melhor.
Agora, com quatro pontos, o Brasil chega para o confronto decisivo contra a Escócia, no dia 24 de junho, em Miami, com boas chances de garantir a classificação — e com a cabeça já nas fases eliminatórias, onde o sonho do hexa de fato começa a ganhar forma.
O hexa: 24 anos de espera que pesam e inspiram
Para entender a intensidade dessa Copa para o brasileiro, é preciso entender o peso do tempo. O Brasil é o maior campeão mundial de futebol, com cinco títulos — 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Mas o último deles aconteceu há 24 anos, na Copa do Japão e Coreia do Sul. Uma geração inteira cresceu sem ver a Seleção erguer a taça.
Essa espera cria um combustível emocional que não existe em nenhum outro país. O argentino que vibrou com Messi em 2022, o francês que comemorou em 2018 — eles sabem como é. Mas o brasileiro que tem 30 anos hoje nunca viu o Brasil campeão. E quem tem 20, menos ainda. Essa saudade transforma cada Copa em algo diferente: em missão, em reparação histórica, em promessa não cumprida que precisa ser resgatada.
A expectativa é que o grupo comandado por Carlo Ancelotti consiga transformar o sonho da sexta estrela em realidade após mais de duas décadas de espera.
A teoria do Grupo C que faz a torcida acreditar
A Copa do Mundo tem suas superstições, e a torcida brasileira encontrou uma que virou assunto nacional. Após França e Argentina vencerem as duas últimas edições e também ficarem no grupo C, a torcida brasileira tem se apoiado nessa coincidência para acreditar no hexacampeonato. Na edição de 2022, no Qatar, a Argentina ficou na chave C e levantou a taça. Já a França, campeã em 2018, também ficou no grupo C. Agora é o Brasil que ocupa esse grupo.
Superstição? Com certeza. Mas no futebol brasileiro, superstição tem o mesmo peso de uma análise tática. E quando a torcida quer acreditar, qualquer sinal serve de combustível.
Ancelotti, Vini Jr e a nova cara de um sonho antigo
Esta Copa chegou com novidades importantes para a Seleção. Carlo Ancelotti, um dos técnicos mais vitoriosos do futebol mundial, assumiu o comando — e trouxe consigo uma aura de experiência que o torcedor abraçou. Afinal, quem melhor para conduzir o Brasil ao topo do que um homem que já venceu tudo o que existe para vencer no futebol de clubes?
No campo, Vinícius Júnior se consolidou como o grande símbolo dessa Seleção. Veloz, técnico, aguerrido e com aquela capacidade de aparecer nos momentos decisivos que separa os grandes jogadores dos campeões. Ao lado de Raphinha, Rodrygo, Matheus Cunha e de jovens como Endrick, o Brasil tem uma geração com talento de sobra para fazer história.
A torcida não é cega: sabe que o caminho é difícil, que há adversários fortes, que o futebol não segue roteiro. Mas acreditar faz parte do ritual. E o ritual do torcedor brasileiro é um dos mais bonitos do esporte mundial.
O Brasil que para quando o Brasil joga
Existe uma dimensão social da Copa do Mundo no Brasil que vai além do futebol. São os bares que ficam cheios desde o almoço nos dias de jogo. As ruas que ficam desertas quando o apito inicial soa. As escolas e empresas que negocia o horário quando a Seleção joga de tarde. A vizinhança que se conhece pelo barulho coletivo do gol — o rugido espontâneo que atravessa paredes e une estranhos num segundo.
É fenômeno único. Em nenhum outro lugar do mundo o futebol tem esse poder de suspender o cotidiano e transformar um país inteiro numa só torcida. Até quem não gosta de futebol acaba olhando o placar. Até quem jurava que não ia assistir acaba gritando no sofá.
Isso é o Brasil na Copa. Imperfeito, apaixonado, ansioso, esperançoso. Um país que ainda acredita — e enquanto a bola rolar, vai continuar acreditando.
O caminho para o Hexa: o que vem pela frente
A Seleção Brasileira fecha sua participação na primeira fase no dia 24 de junho, contra a Escócia, às 19h (de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami. Uma vitória garante a classificação com tranquilidade e pode colocar o Brasil como líder do grupo — o que tende a facilitar o cruzamento nas oitavas de final.
Se avançar da fase de grupos, o Brasil terá seu primeiro compromisso de mata-mata no dia 29 de junho.</cite> A partir daí, é eliminatória pura. Um jogo errado e acabou. Um jogo brilhante e a multidão vai às ruas.
A final está marcada para o dia 19 de julho, no MetLife Stadium — o mesmo onde o Brasil estreou com o empate contra Marrocos. Haveria poesia maior do que a Seleção voltar àquele mesmo gramado para erguer a taça?
A torcida já está sonhando com isso. E no Brasil, sonhar faz parte do jogo.
📅 Próximo jogo do Brasil: Escócia x Brasil — 24 de junho, 19h (horário de Brasília) | Hard Rock Stadium, Miami | Transmissão: Globo, SporTV, SBT, Cazé TV e Globoplay
Por Ray Araújo / Redação / BahiaEmRede.com







Uma resposta
Que venha o hexa!!!!